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Panorama sobre a obesidade em cães e gatos

Os fatores que levam os animais de companhia à obesidade são multifatoriais e, podem estar associados a fatores genéticos e ambientais. No entanto, a obesidade está principalmente relacionada com o desequilíbrio energético (ZORAN, 2010), excetuando-se os casos relacionados a outras alterações, como por exemplo, doenças endócrinas.

Publicado em 13 de fevereiro, 2025

Assim, para explicar a principal causa da obesidade, podemos nos basear nos princípios de transformação e armazenamento de energia, em que muitas calorias consumidas associadas ao menor gasto pelos animais, leva ao acúmulo de gordura no tecido adiposo. Portanto, o que faz com que o animal apresente excesso de peso corporal é o longo período em situação de balanço energético positivo (OSTO & LUTZ, 2015).

O balanço energético positivo é, portanto, o principal determinante da obesidade e suas consequências e está, frequentemente, relacionado à ingestão excessiva de alimentos ou petiscos. Desta maneira, a perda de peso promovida pelo estabelecimento do balanço energético negativo é o primeiro passo para o controle e tratamento da obesidade. O balanço energético negativo é baseado na redução das calorias consumidas pelos animais, associada ou não ao aumento do gasto energético. Desta forma, para obtenção da energia necessária, o animal mobiliza seus estoques orgânicos de gordura com a mínima perda de tecido muscular.

O diagnóstico dessa afecção, na rotina clínica, é estabelecido através da avaliação do escore de condição corporal (ECC), de modo que os animais classificados em ECC 8 e 9 em escala de 9 pontos são caracterizados como obesos (LAFLAMME, 1997). O objetivo do tratamento da obesidade consiste, por sua vez, em reduzir o ECC do animal obeso de maneira controlada e saudável, sendo que o acompanhamento consistente pelo médico veterinário é essencial para o êxito de tal tratamento. Dessa forma, a promoção da perda de peso corporal e efetiva manutenção da massa muscular (que deve ser constantemente avaliada ao longo do tratamento, através da classificação de escore de massa muscular – EMM) é reconhecido como desejável e, nesta etapa, a escolha do alimento correto é fundamental para o sucesso do programa de perda de peso (VENDRAMINI et al., 2021).

As dietas destinadas ao emagrecimento devem, portanto, apresentar características próprias. Dentre elas, a principal é a baixa densidade energética, com manutenção do consumo dos nutrientes não energéticos, para assim propiciar o balanço energético negativo (FEDIAF, 2021). Outra característica importante é o teor mais elevado de proteína, característica de extrema importância nesse tipo de alimento para a manutenção da massa magra corporal, com o intuito de minimizar a perda de massa muscular durante o regime. Além disso, a maior inclusão de fibra dietética também é desejável, pela redução da densidade energética do alimento, auxílio no controle da glicemia e lipidemia, retardo da absorção dos nutrientes e, promoção da sensação de saciedade durante o regime (NRC, 2006).

O emprego de amido de assimilação lenta também é interessante (sorgo, cevada, lentilha e ervilha). Onde os alimentos à base de lentilha, ervilha e sorgo proporcionam a manutenção de concentrações glicêmicas e, minimizam a onda pós-prandial imediata produzida por alimentos formulados com amido de rápida digestão (CARCIOFI et al. 2008; TEIXEIRA et al., 2020). Como a glicemia e a insulinemia estão diretamente relacionadas à saciedade, estes amidos de digestão lenta são recomendados nos casos de obesidade, colaborando para a minimização da fome dos animais em regime de restrição alimentar.

Além disso, alguns compostos bioativos (nutracêuticos) têm sido propostos para efeitos de perda de peso, dentre eles podemos citar a L-carnitina, envolvida no transporte mitocondrial, que pode aumentar a taxa de perda de peso ao promover retenção de massa corporal magra em animais de companhia durante a restrição calórica; e os beta-glucanos, que podem resultar em benefícios na saciedade e metabolismo lipídico (FERREIRA et al., 2022).

Recentes projetos de pesquisa desenvolvidos no Centro de Pesquisa em Nutrologia de Cães e Gatos, em parceria com a PremieRpet (VENDRAMINI et al., 2020; VENDRAMINI et al., 2021; MACEDO et al., 2022; VENDRAMINI et al., 2022), demonstram que  a realização de um programa de emagrecimento com um profissional capacitado, utilizando o alimento PremieR® Nutrição Clínica Obesidade (Cão e Gato) auxilia na manutenção da massa magra durante o processo de emagrecimento, além de propiciar benefícios a imunidade e metabolismo do paciente, fazendo com o mesmo retorne a normalidade e a condição de saúde desejada. Estes artigos estão publicados na literatura internacional e só apoiam ainda mais a qualidade e os objetivos deste produto incrível.

Referências Bibliográficas

  • CARCIOFI, A. C.; TAKAKURA, F. S.; DE-OLIVEIRA, L. D. TESHIMA, E.; JEREMIAS, J. T.; BRUNETTO, M. A.; PRADA, F. Effects of six carbohydrate sources on dog diet digestibility and post-prandial glucose and insulin response. Journal of Animal Physiology and Animal Nutrition, v. 92, p. 326-336, 2008.

  • FEDIAF – The European Pet Food Industry Federation. Nutritional guidelines for complete and complementary pet food for cats and dogs. The European Pet Food Industry Federation, Bruxelas, 2021.

  • FERREIRA, C. S. VENDRAMINI, T. H. A.; AMARAL, A. R.; RENTAS, M. F.; FERNANDES, M. C.; DA SILVA, F. L.; OBA, P. M.; DE OLIVEIRA R. F. F.; BRUNETTO, M. A. Metabolic variables of obese dogs with insulin resistance supplemented with yeast beta-glucan. BMC Veterinary Research, v. 18, p. 1-11, 2022.

  • FERRIOLLI, E; PONTIERI, C. F. F.; BRUNETTO, M. A. Weight-loss in obese dogs promotes important shifts in fecal microbiota profile to the extent of resembling microbiota of lean dogs. Animal Microbiome, v. 4, p. 6-13, 2022.

  • LAFLAMME, D. P. Development and validation of a body condition score system for dogs: a clinical tool. Canine Practice, Santa Barbara, v. 22, n. 3, p. 10- 15, 1997.

  • MACEDO, H. T., RENTAS, M. F.; VENDRAMINI, T. H. A.; MACEGOZA, M. V.; AMARAL, A. R.; JEREMIAS, J. T.; DE CARVALHO BALIEIRO, J. C.; PFRIMER, K.; FERRIOLLI. E.; PONTIERI C. F. F.; BRUNETTO M. A. Weight-loss in obese dogs promotes important shifts in fecal microbiota profile to the extent of resembling microbiota of lean dogs. Animal Microbiome. 2022 Jan 6;4(1):6. doi: 10.1186/s42523-021-00160-x. PMID: 34991726; PMCID: PMC8740440.

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  • VENDRAMINI, T. H. A.; OLIVINDO, R. F. G.; ZAFALON, R. V. A.; RENTAS, M. F. ZANINI, L. D.; AMARAL, A. R.; PEDRINELLI, V. OLIVEIRA, V. V.; RISOLIA, L. W.; TEIXEIRA, F. A.; BRUNETTO, M. A. Profile qualitative variables on the dynamics of weight loss programs in dogs. PLoS One, v.17, p.e0261946, 2022.

  • VENDRAMINI, T. H. A..; MACEDO, H. T.; ZAFALON, R. V. A.; MACEGOZA, M. V.; PEDRINELLI, V.; RISOLIA, L. W.; OCAMPOS, F. M. M. JEREMIAS, J. T.; PONTIERI, C. F. F.; FERRIOLLI, E.; COLNAGO, L. A.; BRUNETTO, M. A. 2021. Serum metabolomics analysis reveals that weight loss in obese dogs results in similar metabolic profile to dogs in ideal body condition In Metabolomics, v.17, 27.

  • VENDRAMINI, T. H. A.; MACEDO, H. T.; AMARAL, A. R.; RENTAS, MARIANA FRAGOSO; MACEGOZA, MATHEUS VINICIUS; ZAFALON, R. V. A.; PEDRINELLI, V.; MESQUITA, L. G.; BALIEIRO, J. C. C.; PFRIMER, K.; PEDREIRA, R. S.; NOWOSH, V.; PONTIERI, C. F. F.; GOMES, C. O. M. S.; BRUNETTO, M. A.  Gene expression of the immunoinflammatory and immunological status of obese dogs before and after weight loss. PLoS One, v. 15, p. e0238638, 2020.

  • ZORAN, D. L. Obesity in dogs and cats: A metabolic and endocrine disorder. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, v. 40, p. 221-239, 2010.

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