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Novo consenso do ACVIM sobre enteropatias crônicas em cães

O novo consenso do American College of Veterinary Internal Medicine (ACVIM), publicado em 2026, estabelece diretrizes para o diagnóstico e manejo da Enteropatia Crônica Inflamatória (CIE) em cães.

Publicado em 06 de fevereiro, 2026
Novo consenso do ACVIM sobre enteropatias crônicas em cães

Escrito por

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Dra Andressa Amaral

Especialista de Relacionamento Científico da PremieRpet

A Enteropatia Crônica Inflamatória (CIE) é definida como um grupo de desordens gastrointestinais persistentes ou recorrentes, caracterizadas por inflamação mucosa variável. O consenso recomenda a substituição do termo “Doença Inflamatória Intestinal (DII)” por CIE para melhor precisão clínica e diferenciação da doença em humanos.

De acordo com este consenso, a CIE permanece como um diagnóstico de exclusão, ou seja, que deve ser considerado após a exclusão dos principais diagnósticos diferenciais através de exames laboratoriais, de imagem, parasitológicos e triagem dietética.

A triagem dietética assume um papel central no processo diagnóstico proposto pelo consenso. Estima-se que entre 38% e 89% dos cães com sinais gastrointestinais crônicos apresentam a forma responsiva ao alimento (CIE-FR). Por essa razão, a intervenção nutricional é classificada como a primeira escolha diagnóstica para pacientes clinicamente estáveis e deve preceder exames invasivos como a endoscopia com biópsia, desde que não haja sinais de gravidade imediata, como hipoalbuminemia e anorexia mediante avaliação individual de risco anestésico.

O protocolo estipulado exige o consumo exclusivo de uma dieta coadjuvante por período mínimo de duas semanas. A resposta clínica a essa intervenção costuma ser rápida, manifestando-se geralmente entre 10 a 14 dias após o início do manejo nutricional. A escolha da dieta deve ser pautada em anamnese nutricional detalhada e considerar a exposição a antígenos anteriores, sinais clínicos específicos do paciente e resultados de exames de triagem.

Um dos pontos de maior relevância no novo consenso é a recomendação de persistência na triagem dietética. O clínico deve considerar a realização de pelo menos três tentativas com dietas coadjuvantes distintas antes de classificar o paciente como “não responsivo ao manejo alimentar”. Essa abordagem fundamenta-se na evidência de que a falha em um perfil dietético não infere sobre a resposta de outro e a eficácia pode variar conforme a fonte proteica, a hidrólise, teor de fibras e de gordura.

As dietas coadjuvantes a serem avaliadas incluem as hipoalergênicas hidrolisadas ou de proteína nova (como a PremieR® Nutrição Clínica Hipoalergênica Mandioca e Proteína Hidrolisada e PremieR® Nutrição Clínica Hipoalergênica de Cordeiro), elementares, enriquecidas com fibras (como a PremieR® Nutrição Clínica de Obesidade) ou de baixa gordura. As dietas hidrolisadas apresentam taxas de remissão entre 64% e 89% em centros de referência, demonstrando melhora significativa na estrutura da microbiota e na concentração de ácidos biliares secundários. Já as dietas de proteína nova mostraram-se eficazes em cerca de 56% a 60% dos casos em estudos prospectivos.

No manejo da Enteropatia Perdedora de Proteína (PLE) e da linfangiectasia intestinal, a restrição de gorduras deve ser realizada. O consenso orienta o uso de dietas com baixo ou ultrabaixo teor de gordura (menos de 2g de gordura por 100 kcal).

A avaliação da cobalamina (vitamina B12) é recomendada em todos os casos suspeitos de CIE, dado que a hipocobalaminemia é um marcador de prognóstico negativo e afeta entre 19% e 61% dos cães diagnosticados. A suplementação, seja por via parenteral ou oral pode ser recomendada para restaurar as concentrações intracelulares e deve ser monitorada periodicamente. O alimento PremieR® Nutrição Clínica Gastrointestinal Cães possui alta concentração de vitamina B12 e mostrou-se efetivo em elevar as concentrações séricas de cobalamina em cães com Insuficiência Pancreática Exócrina, cuja fisiopatologia envolve redução importante da capacidade absortiva de B12 por deficiência do fator intrínseco (Oliveira, 2022).

Conclusão

Em conclusão, o consenso ACVIM de 2026 reforça a nutrição não apenas como suporte, mas como uma ferramenta diagnóstica definitiva e terapêutica primordial. As triagens dietéticas permitem abordagem menos invasiva, de forma que as  intervenções farmacológicas e biópsias devem ser consideradas apenas para os casos comprovadamente refratários ao manejo nutricional.

Referências Bibliográficas

  • Oliveira, V.V. Perfil do alimento e variáveis nutricionais e intestinais de cães com Insuficiência Pancreática Exócrina. 2022. 67f. Dissertação (Mestrado em Ciências) – Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de São Paulo, São Paulo.

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